10/30/2019 6:12:01 PM

Como evitar uma transformação digital mal sucedida

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Todas as empresas querem iniciar seu processo de transformação digital, mas como evitar erros e problemas nesse processo? Descubra agora.

Atualmente grande parte das empresas estão realizando a transformação digital de seus negócios ou planejam realiza-la nos próximos anos. Participei de uma palestra no Gartner Symposium onde os especialistas elencaram os nove principais erros que as organizações cometem no processo de transformação, divididos em três camadas organizacionais.

Governança Corporativa

  • Mal compreendida: os executivos compreendem superficialmente a transformação digital e acreditam erroneamente que é uma forma de e-business mais robusta, não percebendo seu real impacto na base da indústria e dos negócios. Muitos não percebem que os dados se tornam o principal ativo estratégico da organização na criação de valor e competição. Para evitar esse erro os executivos devem reinventar seus modelos de negócio para o digital.
  • Interiorizada: os executivos assumem que é apenas uma mudança no modelo operacional interno e que suas equipes têm capacidade suficiente para lidar com isso internamente. Com isso não analisam a concorrência no mercado e nem consideram os novos concorrentes gigantes, com abordagens mais disruptivas. Esse erro pode ser evitado olhando-se para fora da organização fazendo uma análise profunda dos concorrentes e também de outros mercados.
  • Dissociada: os executivos acreditam que a transformação digital está ligada apenas a TI, e dessa forma não tomam a frente para iniciar esse movimento, pois entendem que é uma atividade da camada gerencial. Muitas vezes contratam um profissional ou empresa para apoiá-los mas não dão importância e prioridade. A melhor solução para esta situação é tornar a transformação digital no cerne da organização.

 

Estilo de gestão

  • Não guiada: não há uma estratégia clara a ser seguida e os objetivos são vagos. Os gestores recebem metas que não podem ser medidas ou desacreditadas. A ação é definir uma estratégia clara para a transformação digital com objetivos e metas mensuráveis.
  • Incremental: dificuldade de definir a diferença entre transformação digital e uma boa TI. Os projetos são muito focados em melhorar os sistemas legados e os recursos financeiros vem de orçamentos existentes que não consideram as necessidades da transformação digital. Estas dificuldades podem ser sanadas através de uma estruturação dos investimentos, definindo claramente os recursos destinados a manutenção das aplicações legadas e dos recursos para realização da transformação.
  • Mindset fixo: resistência as tentativas de comercialização incremental e das práticas ágeis no negócio. Os gerentes esperam por resultados a curtíssimo prazo e continuam avaliando os projetos por bem-sucedido/falho ao invés de aprender/abortar. Além disso não há mudanças na estrutura da empresa e nem no formato de contratação dos novos profissionais. Esse cenário se estingue quando a empresa investe na construção de um mindset de crescimento aberto a novos conceitos e que entenda que falhas são necessárias para a evolução continua da organização.

 

Abordagem de execução

  • Planejamento em excesso: projetos grandes e engessados que exigem muitas aprovações inibem as experimentações. Em muitos casos os marcos de entrega acabam sendo mais importantes que a entrega de valor para o cliente. Alguns gestores ainda focam em primeiro arrumar o básico para depois investir em inovações o que acaba nunca acontecendo. Uma alternativa a essa situação é institucionalizar a metodologia de Lean Startup que sugere fazer pequenas iniciativas de experimentação para identificar as melhores soluções para o mercado (erro pequeno, erre cedo e erre barato).
  • Centrada na tecnologia: o foco se torna utilizar as tecnologias emergentes de alguma forma dentro da organização sem muito critério ao invés de entender as necessidades de negócio e como atende-las com as novas tecnologias. Nestes casos a equipe deve focar em atender as necessidades não atendidas de negócio.
  • Cultura cega: a gerência não lidera a mudança da cultura, e a equipe fica desconfortável com as atividades digitais que parecem conflitar com as expectativas de atividades normais e dos comportamentos valorizados. Uma redefinição do propósito e dos valores é necessária para minimizar este impacto na organização.

Os especialistas pontuaram que os problemas relacionados a governança corporativa são os principais a serem tratados, pois são os executivos que devem liderar a organização no caminho da transformação digital que é longo e desafiador, mas necessário para a sobrevivência das organizações nos próximos anos.

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