7/17/2018 8:51:33 PM

A Evolução da Usabilidade

Technology User eXperience Tecnologia

O conceito de UX (User eXperience) tem nome e profissional dedicado para transformar a necessidade de uso em soluções com alto valor agregado

Apesar do termo UX (User eXperience) ser algo recente no mercado, a preocupação com a experiência do usuário é antiga. Agora, o conceito tem nome e profissional dedicado para transformar a necessidade de uso em soluções com alto valor agregado.

Vamos pensar em videogames, por exemplo: desde os primórdios do game design, não se trata apenas de passar uma fase, mas de ter a melhor experiência de usabilidade durante o processo do jogo. O objetivo aqui é manter o player o maior tempo possível interagindo com a interface. Para que isso aconteça, é necessário que a experiência de uso seja excelente, caso contrário, ele abandonará o jogo. Entra em cena o que chamamos de design emocional. Dois dos vários elementos que formam a cultura pop também têm papel fundamental na nossa experiência de consumo. Quando assistimos a um filme, criamos empatia com o personagem principal, torcemos para que ele salve o planeta, proteja a população e por aí vai. No game design não é diferente. Quando estamos jogando somos o personagem principal e nossa  missão é salvar o planeta dos zumbis ou resgatar a princesa aprisionada no castelo. Esse é o objetivo UX: deixar o usuário imerso naquele mundo de fantasia por algumas horas. Ao final, quando ele finaliza a missão, vem o sentimento de realização e satisfação pelo dever cumprido. 
Pensar em usabilidade é isso: é ter a  experiência do usuário no centro e como foco na construção de uma solução. Entendido o conceito, vou falar um pouco sobre algumas áreas de atuação que estão explorando muito bem o tema no mercado.


A Interface invisível

A evolução dos gadgets está de vento em popa e isso é ótimo. Porém, o excesso do uso tem feito com que a interação entre as pessoas seja menor ou menos importante como antes, principalmente entre as crianças. A Interface Invisível (Natural User Interface) entrou no mercado com uma proposta que eu gosto de chamar de “hands off”. Imagine um cenário onde você não precisa usar o smartphone para tocar sua playlist de música favorita. Se estiver cozinhando e esquecer quantas colheres de sopa de sal vai naquele molho, você consegue a resposta sem ao menos usar um mouse ou qualquer outro gadget físico para acessar os tutoriais da internet. Sensacional, não é mesmo? Nos Estados Unidos isso já é uma realidade.

O Google e a Amazon lançaram no mercado os seus assistentes pessoais (um Jarvis da vida real) e os feedbacks são bem positivos. Trata-se de um alto falante com microfone embutido e um assistente pessoal que responde suas perguntas, faz suas compras, toca sua música favorita, chama um Uber e muito mais. 


Prós:

Ambiente inteligente
Apagar as luzes da sua casa, pedir aquela pizza, ler um livro para você, etc...

Menos celular
Mais interação humana entre família e amigos.

Em família
Qualquer membro da família pode utilizar via reconhecimento de voz.

Contras:

Preço
Na conversão direta do dólar para a nossa moeda, o Echo da Amazon pode chegar até R$ 800,00. Há ainda a necessidade de adaptar a sua casa para o conceito “smart home”: lâmpadas inteligentes, controladores de temperaturas e outros artefatos que sejam compatíveis com os assistentes. Então não espere algo “baratinho”.

Disponibilidade
Por ser algo novo, nos Estados Unidos, apenas 39mi de pessoas utilizam a Alexa (assistente do Echo da Amazon). Com isso, obviamente não há disponibilidade para alguns idiomas. Ainda não chegaram ao Brasil.

Ecossistema pequeno
Os assistentes estão disponíveis apenas para smart home. 
Um dado importante é que 30% dos usuários de assistentes virtuais, substituíram a TV, passando a ouvir notícias e música pela Alexa.


Design emocional

“A emoção domina a tomada de decisão, dirige a atenção e valoriza as memórias em detrimento de outras” 

The media equation. How people treat computers, television and new media like real people and places
Byron Reeves & Clifford Nass


Não basta ser um aplicativo 100% funcional. Se o usuário não sentir conforto em usar, a chance de ele procurar outro concorrente é iminente. Para falarmos sobre design emocional precisamos conhecer como funcionam os níveis emocionais das pessoas, veja abaixo.

Níveis emocionais
  • Visceral – Rápido, automático ou de maneira pré-programada.
  • Comportamental – Satisfação pela efetividade do uso.
  • Reflexivo – Subjetivo, intangível, significados culturais e individuais.
Como e onde praticamos
Empatia! Conhecer o usuário, identificar os seus problemas, compartilhar das dores dele. Quanto mais perto do seu usuário, melhor.

“Precisamos entender, sentir e solucionar as dores do usuário, antes que ele mude para um produto que faça isso”.


Além do que se pode ver

“Wearables se tornaram tendência, videogames se transformaram em imersões inexplicáveis e cada vez mais controlamos dispositivos através da voz. Precisamos conhecer os poderes da música e como os sons podem nos ajudar a enxergar além do que se pode ver!”

Stefano Girardelli

Receber uma notificação no WhatsApp, ouvir aquele sino do Messenger, audiobooks, perder uma vida ou passar a fase no Mario Bros... Esses acontecimentos vêm sempre acompanhados de uma música ou som de notificação, que mesmo distante, ao ouvir já sabemos qual é a notificação e de qual aplicativo vem. Usabilidade via áudio é algo real e não é de hoje. Esse conceito tem sido fortemente utilizado na inclusão digital de deficientes visuais no mercado de trabalho. A TIM tem um case muito interessante sobre o assunto. Atualmente quando um deficiente visual recebe um emoji de 3 corações por exemplo, ele ouve o interpretador falar “coração coração coração”. A experiência é péssima para os usuários. Sendo assim, a empresa tomou a iniciativa de mudar essa experiência de uso para melhor, inserindo expressões reais nos emojis. Quando o usuário recebe um emoji de coração, ao invés de o interpretador falar a palavra que a imagem representa, ele soa com as batidas de um coração. Quando recebe uma risada, ouve-se um áudio de uma gargalhada real. Num teste feito com usuários reais, o resultado da experiência foi simplesmente sensacional. O feedback dos usuários foi extremamente positivo. Isso é inclusão. Isso é empatia.

A sociedade vive em constante evolução e junto disso, as necessidades, problemas e dores também mudam. Esse é o grande desafio para o UX designer: identificar as necessidades reais dos usuários, levando em conta seus emoções, e transformar em soluções que agreguem valor à vida das pessoas. 


Por: Claudinei Ramiro dos Santos, UX Designer

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